O Input- International Public Television é uma conferência de televisão internacional que ocorre anualmente. Seu objetivo é analisar e debater as melhores produções de TV do mundo. Em maio, este evento foi realizado em Lugano/ Suíça, onde 80 produções, selecionadas entre centenas de trabalhos, foram selecionadas pelos comitês dos países participantes.

Em Porto Alegre, está ocorrendo o Mini-Input, com a apresentação de 30 produções que foram selecionadas neste evento. Desde o dia 16 até 21 de outubro, as pessoas podem conferir, com entrada franca, os filmes, documentários, reality shows e outras variedades de produções. Confira a programação.

No dia 16, um dos documentários que foi exibido chama-se Do Outro Lado (Al Outro Lado), de Natalia Almada. A divisão entre México e EUA é retratada através dos personagens mexicanos, que idealizam oportunidades, correm riscos e sentem as barreiras culturais em suas experiências. Chocante pela reflexão que desperta, Do Outro Lado apresenta vários pontos de vista das pessoas envolvidas nas narrativas, desde o americano que nasceu em Los Angeles, mas que se sente um verdadeiro mexicano, até mesmo às posturas ilegais para atravessar o caminho rumo ao país vizinho.

Temas atuais e impactantes

Apesar do público de 13 pessoas nesta seção, quem estava lá teve a oportunidade de assistir programações com qualidade, tanto pela estética como pelo conteúdo apresentado.

hpim3404.jpgPara a estudante de história e direito, Luciana de Paula, 24 anos, o documentário foi muito interessante por tratar de um tema atual e de impacto. “As diversas visões dos envolvidos e o narcotráfico de pessoas são ganchos que despertam profundas reflexões. Além disso, a fotografia, a trilha sonora e a caracterização estavam excelentes”, avalia.

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O jornalista Edson Maciel, 24 anos, destacou o espaço como elemento fundamental das propostas do documentário. “Em tempos de internet, percebemos que os povos não estão globalizados como o mundo virtual sugere. As fronteiras existem e quando as culturas se encontram o choque acontece”, relata.

hpim3406.jpgA francesa e fotógrafa Pauline Bernad, 23 anos, acrescenta: “Vimos no documentário o retrato da realidade, do quanto as pessoas idealizam uma vida melhor quando estão em situações difíceis, mas nem sempre essa idealização é correspondida no país, ou seja, do outro lado”, avalia.

O Input, como forma de divulgar programações de qualidade, é também uma opção para ampliar conhecimentos a cerca de outras culturas, outras visões televisivas. Uma oportunidade para ver o que de melhor e provocador existe nas formas e conteúdos produzidos por diversos países.

Um monumento que faz sonhar

10 Outubro, 2007

Discreto e localizado na lateral do telão da Arena, na Exposição No Ar- 50 Anos de Vida. Alguns podem até passar sem percebê-lo, mas quem relaciona seu significado com a vida, logo percebe a importância deste “monumento”. Refiro-me ao poste com alto-falante. A interatividade não está explicita. Sem emitir sons e imagens, revela seu diferencial. Esse poste é um começo de sonhos, que antecede as últimas cinco décadas de uma história. 

Acredito que as realizações acontecem através de atitudes, que antes de tudo, foram sonhadas. Paixão e talento são ingredientes presentes no alcance de objetivos. Sendo assim, relembrar através do poste que Maurício Sirotsky Sobrinho, aos 14 anos, na praça de Passo Fundo, revelava sua vocação para a comunicação através do Serviço de Alto-Falantes Sonora Guarany, é refletir sobre diversos aspectos. É neste espaço, que durante o passeio pela exposição, paramos para pensar sobre o que motiva nossas atitudes na busca de um ideal. 

Paixão, vocação, atitude e empreendedorismo. Essas palavras compõem os significados que este “monumento” possui. Durante as visitas guiadas, gosto quando chego neste local, onde minhas palavras são instrumentos fundamentais para contar uma história. Por parecer simplesmente um poste e sem grandes possibilidades de interação, as pessoas fixam o olhar em mim e neste momento vejo o sonho brilhar em seus olhos. Pois falar de vocação aliada à paixão pelo o que se faz é algo inspirador. 

Sonhar motiva atitudes 

Neste espaço, relembramos o início da cronologia, quando aos 32 anos, Maurício associava-se à Rádio Gaúcha. Verificamos que a paixão do jovem de 14 anos e suas atitudes materializaram um sonho. Esse sentimento pela comunicação se revelou muito cedo e no decorrer do tempo, ele uniu esforços para projetos mais ousados.  

É neste espaço que os jovens demonstram possuir sonhos ao identificarem-se com uma profissão, independente de ser da área de comunicação. É neste espaço que escuto as crianças dizerem frases do tipo: “Quando eu crescer, quero ser professora!”. É neste espaço também, que a linha do tempo entre o poste e o caráter multimídia de uma empresa apresenta a dimensão de um trabalho. 

Pode parecer romantismo, mas me atrevo a dizer que este poste faz sonhar. É neste local que o diálogo entre público e facilitadores revela que um monumento estático tem profunda capacidade de mexer com o imaginário das pessoas e fazer com que elas reflitam sobre suas habilidades, desejos profissionais e realização pessoal. Fui me dar conta dessa realidade quando acompanhei uma turma durante a visita e ao chegarmos na sala do silêncio, um jovem que deveria ter uns 16 anos, falou: “Agora quero voltar ao pensamento que tive lá no poste, pensar em minha vocação e sonhar”. Motivando atitudes, o sonho antecede o caminho para a realização.     

Vitrola, telefone da década de 50 e um secador de cabelo antigo. Será que esses objetos atraem os jovens que vivem na geração do Ipod, celular e tecnologias surgindo a cada dia? Para a estudante de marketing, Fabiane Vasconcellos Carvalhal, 23 anos, recordar acontecimentos vivenciados dentro de sua casa ao deparar-se com os objetos que marcaram o início destas últimas cinco décadas foi uma viagem à sua infância, ao lado da família, e uma emoção ao identificar na NO AR elementos que ainda fazem parte de seu cotidiano. 

A admiração pela antiguidade é um sentimento cultivado na família da jovem. “Meus pais tinham uma loja em Pelotas, onde vendiam vinil e cassete. Eles são colecionadores e apaixonado por telefones antigos, meu pai também tem vários objetos, inclusive uma lança da Revolução Farroupilha, herdada pelo seu bisavô”, relata. 

Os eletrodomésticos, distribuídos no grande hall da exposição, foram o que mais chamou a atenção de Fabiane. A televisão dos anos 70 e o telefone de 56 são objetos presentes na casa da estudante. “Eu brincava com este secador de cabelo, que era da minha vó”, conta com entusiasmo ao se deparar com o modelo que a maioria das pessoas confundem com um aspirador de pó. 

A exposição NO AR- 50 Anos de Vida, que em sua concepção transformou a Usina do Gasômetro em uma grande casa, teve um significado especial para essa admiradora de antiguidades. “Ao ver estes objetos, tive a sensação de estar em minha casa, onde muitos deles ainda fazem parte do meu dia-a-dia”, destaca. 

Para a estudante, a importância do passado reflete um conhecimento para as pessoas. “Quando falo com os amigos da minha idade, a maioria não conhece esses eletrodomésticos. Adorei ver o radinho nas poltronas, tenho um assim lá em casa. Que bom ver aqui essa valorização da história através desses objetos”. 

Quando Fabiane assistiu Jayme e Nelson Sirotsky na entrevista do jornal do almoço, direto da exposição, e viu no fundo do ambiente a Kombi e outros objetos, a emoção tomou conta de seus sentidos. “Fiquei imaginando como seria estar aqui. Confesso que minha vontade é chegar ao abrir as portas da exposição e só ir embora quando fechar”, relata. 

A NO AR- 50 Anos de Vida, que segue até o dia 18 de novembro, de terça a domingo, das 9h às 21h, atrai e emociona pessoas de diversas gerações. As sensações da jovem Fabiane traduzem o impacto que este evento tem na vida de quem vive a experiência de visitar e se encantar com o que a exposição oferece ao público.

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Fabiane Carvalhal